Aviso de Spoiler: “Oathbreaker (Perjuro)”. Não leia, a menos que você ja tenha assistido o episódio 3 da 6ª Temporada de “Game of Thrones“.

Jon Snow está vivo – mas ele não parece estar tão feliz com isso. Como evidenciado por Buffy Summers, Dean Winchester e inúmeros outros heróis/personagens da TV ressuscitados através de meios místicos, uma viagem de volta do além sempre vem com algo mais e apesar das garantias de Melisandre sobre um destino grandioso pelo Senhor da Luz, é claro que Jon não é tão arrogante a ponto de desacreditar da sua recuperação de forma divina para equilibrar a balança da justiça, além disto ser mais uma prova da arrogância da humanidade. Quando as pessoas se intrometem com as forças que eles não entendem, não há melhor cenário de que um Lorde Comandante que se parece com uma boneco de vudu, mas pior é o caso do experimento “Frankenstein” de Qyburn sobre Gregor Clegane, um experimento mutante que não faz nada, além de causar assassinatos causando temor e trazer íra aos moradores de King’s Landing.

Jon pode não ter os olhos azuis iguais aos dos Vagantes Brancos, mas ele obviamente reconhece a precariedade da sua posição diante de tal forma, temendo um possível ataque aos membros sobreviventes da Patrulha da Noite e aos Selvagens, Jon se afasta a ponto de evitar tal situação. “Eu não deveria estar aqui“, diz Jon, depois de ver a realidade de sua situação. “Eu fiz o que eu achava que era certo, e eu fui assassinado por isso. Agora estou de volta – Por quê?” É uma pergunta sem resposta, pelo menos até agora, mas é justo que a busca de Jon pelo significado da causa acontece em um episódio que também nos provoca com uma potencial resposta para o mistério persistente de sua filiação.

Os fãs dos livros de George RR Martin têm esperado ansiosamente uma visita à Tower of Joy, onde Bran e o Corvo de Três Olhos testemunham o jovem Ned Stark e seus aliados (incluindo Meera e o pai de Jojen, Howland Reed) enfrentando o lendário espadachim Sir Arthur Dayne, um membro da Guarda Real de Aerys Targaryen, o “Rei Louco“. Dayne e seu aliado aparentemente foram instruídos pelo príncipe Rhaegar Targaryen (irmão mais velho de Daenerys e Viserys) para proteger a torre onde Ned suspeita que sua irmã Lyanna pode estar, sequestrada por Rhaegar após ela ter incitado a rebelião que, eventualmente, viu a dinastia Targaryen ser retirada do poder por Robert Baratheon instalado no Trono de Ferro.
A verdade sobre os momentos finais de Lyanna e a promessa da pergunta dela a Ned em seu leito de morte ainda são um mistério (pelo menos até Bran ter outra chance de voltar para a Tower of Joy), mas há poucas coincidências na série meticulosamente trabalhada de RR Martin e provavelmente há uma boa razão para que Corvo de Três Olhos não pensar que Bran está pronto para saber toda a verdade sobre o que Ned encontrou nessa torre. Assim como é intrigante a revelação de que apesar Bran pode não ter o poder de mudar verdadeiramente o passado (“O passado já está escrito, a tinta já está seca“, disse o Corvo), parece que ele pode pelo menos fazer sentir a sua presença para Ned, parecendo ouvir o chamado de Bran, embora o evento da visita de Bran tenha sido décadas atrás.

Bran tem que botar fé de que sua paciência um dia será recompensada e que o Corvo que o manter na coleira em seu poder por uma razão e fé é um tema recorrente no episódio, para o bem e para o mal. Às vezes, essa crença é recompensada, como exemplificado pela fé renovada de Melisandre no Senhor da Luz; assim, como a fé cega(Literalmente) de Arya, na qual ela segue as regras na Casa do Preto e Branco, onde Jaqen H’ghar, vai tornar-lá a guerreira que ela sempre pretendeu ser (e obter sua visão de volta, como resultado).

Mas a fé cega também é perigosa; Sir Alliser Thorne vê nos olhos de Jon e diz que ele fez o que era certo quando ele traiu o Lorde Comandante, a fim de proteger a santidade da Guarda da Noite e que ele iria fazer a mesma coisa se pudesse escolher de novo. Assim como o Alto Pardal acredita que ele e os Militantes da Fé estão habilitadas pelos deuses para infligir a sua marca particular de justiça, atuando como vasos que inquestionavelmente seguem uma doutrina que não deixa espaço para falhas humanas. Cersei, já foi recepcionada por esta justiça dos “deuses”, o que explica por que ela está disposta a depositar sua fé em Qyburn e o ressuscitado Gregor Clegane, mas é discutível se qualquer boa ação pode ser de confiança, já que vem de uma abominação como ele, além do que, ele estava muito desequilibrado antes dele ser trazido de volta a vida da beira da morte. O Dothraki e às suas estruturas de poder e tradições levam para longe os indivíduos, assim como as viúvas dos Khals, deixando as mulheres como Daenerys à mercê dos homens que tratam suas esposas como fiduciárias a verem o mundo como algo a ser conquistado. A fé em outras pessoas pode trazer alianças poderosas, quer se trate de Sansa e Brienne, ou Ramsay Bolton e Smalljon Umber, que lhe entregou um outro presente inesperado: um Rickon Stark e sua protetora, Osha, e isso não pode ser nada bom.

No final, Jon decide que ele não quer mais ficar à mercê do dogma, que ele viu em primeira mão que não há deuses esperando do outro lado da vida, não existem os Sete nem Senhor da Luz e nem quaisquer outras pessoas ou deuses à espera do outro lado vida. Essa percepção pode ser aterrorizante, mas também é libertadora. Ele se desliga do seu manto (ou melhor, passa-o por merecimento para Edd) e se afasta da Guarda da Noite. Ele pode ser tecnicamente o “perjuro” que dá ao episódio tal título (embora há uma abundância de retornos de chamadas para o casamento vermelho, e o juramento quebrado de Roose Bolton para Robb Stark), mas Jon tecnicamente cumpriu sua promessa a Guarda da Noite que diz: “não terminará até a minha morte“, e não há nada dizendo sobre o que fazer no caso de uma ressurreição sobrenatural. Desde que Ramsay acaba ganhando outro Stark como uma peça importante de xadrez, ele continua a aterrorizar o Norte, e Jon, que não tem mais que honrar a promessa de proteger e envolver-se em disputas políticas, parece que estamos sendo preparados para um confronto épico dos bastardos – Snow contra Snow. E é neste momento que Ramsay, se encontrou nesse jogo.

Game of Thrones” novos episódios aos domingos às 22:00 na HBO.

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